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Hedonismo alimentar: a substituição do Arroz e Feijão pelos Ultraprocessados


O Brasil detém a vanguarda global em diretrizes nutricionais: o Guia Alimentar para a População Brasileira é referência obrigatória à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sendo internacionalmente aclamado como o padrão-ouro para a promoção da saúde e soberania alimentar. Nesse contexto, tendo em vista que o arroz e o feijão ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro posto de alimentos mais consumidos no Brasil, é possível afirmar que o alto padrão é consequência direta dessa âncora alimentar de toda refeição brasileira.


O consumo surgiu como uma síntese da colonização brasileira, um encontro palatável entre a América, a África e a Europa. Nesse encontro, o feijão era o elo nativo, já conhecido no solo brasileiro, enquanto o arroz era novidade, trazido do exterior. Em primeira instância, a sinergia entre os grãos apresenta todos os blocos de construção necessários para a formação da saúde ao oferecer um perfil completo de nutrientes, inclusive das moléculas que constituem a proteína: os aminoácidos. Dessa forma, há menor necessidade de carnes na dieta, o que se provou extremamente valioso em um contexto colonial e imperial, em que o produto é caro, de difícil acesso e de complexa armazenagem, em oposição à dupla de grãos que é de alta durabilidade, corroborando sua introdução no prato brasileiro. 


Além de intrínseco à alimentação, as dimensões da presença do arroz com feijão no Brasil tocam diversas esferas da cultura e da economia. Desde o fim do século XIX, o arroz com feijão é sabor conhecido na língua do povo, seja em ditados populares ou no almoço de segunda a sexta. Sua importância nacional é observada em seu posto de termômetro da desigualdade social, ao agir como métrica básica para mensurar o custo de vida de famílias de baixa renda. Isso ocorre pois, por serem itens de compra semanal ou mensal, o efeito da inflação é imediato e afeta a população mais do que a alta do dólar, traduzindo a situação real do desequilíbrio vivido pela sociedade e gerando a denominada inflação de gôndola¹. Ademais, seu status de commodity² agrícola de produção nacional e consumo doméstico promove a retenção de capital no país, ao mesmo tempo que cria uma base de consumo menos vulnerável às flutuações do mercado internacional. 


Porém, desde 1960, o consumo de arroz e feijão decresceu 29% e 43%, respectivamente. As raízes dessa contração florescem na perda de sua soberania alimentar; três principais pilares sustentam essa transição nutricional: a mudança de comportamento do consumo voltada ao individualismo, a perda do posto de maior praticidade aos ultraprocessados e o aumento da cotação dos grãos.


As perdas para a nação brasileira provenientes desse decréscimo são diversas e afetam profundamente tanto a saúde, quanto a economia brasileira. Espera-se um aumento epidemiológico de doenças crônicas e precarização da saúde, como afirma pesquisa da UFMG, juntamente de uma perda de eficiência operacional da força de trabalho, acarretando passivos governamentais bilionários. Estima-se que R$10,4 bilhões serão gastos devido a essa priorização de alimentos ultraprocessados, segundo o NUPENS (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em nutrição e saúde). Em sintonia, a economia brasileira sofrerá igualmente: juntos, em 2024, o plantio do arroz e do feijão empregou mais de 20 mil pessoas e manteve ativos quase 5 mil estabelecimentos. Seu decréscimo é alerta vermelho direto para todos aqueles beneficiados por essa cultura e que dependem do plantio para subsistência.


Nesse contexto, tendo em vista as duras consequências socioeconômicas, quais causas sustentam essa perda de identidade nacional?


Consolidação como reflexo da praticidade


A consolidação do arroz com feijão nos costumes brasileiros foi impulsionada pela sua praticidade e simplicidade de preparo durante a Revolução Industrial brasileira. Como afirma Câmara Cascudo, famoso historiador brasileiro, a dupla emergiu como solução para a classe laboral em um contexto de êxodo rural em que a quantidade de trabalhadores em meio urbano que buscava agilidade nas refeições era grande. Nesse momento, o surgimento do Prato Feito era sinônimo de praticidade, o uso dos grãos na refeição clássica representava uma opção barata, de saciedade prolongada e de preparo simples, sendo produzida em grandes quantidades.


Tal busca infindável por praticidade é inerente à psique humana, esse comportamento é um imperativo biológico e evolutivo que segue as leis regidas pela natureza e é observado, também, na alimentação. Segundo a Teoria do Forrageamento Ótimo, organismos evoluem para obter o máximo de retorno calórico com o mínimo de gasto energético, essa lógica foi fator decisivo para a popularização da dupla de grãos. 


Porém, como a natureza não é constante, aquilo que apresenta vantagem em um momento não necessariamente terá esse seu status honrado. Na época de sua popularização, o arroz e feijão representava uma opção vantajosa, porém, com a evolução da sociedade e as mudanças no padrão de alimentação, a dupla de grãos não mais se encaixa na definição de agilidade, fazendo com que a razão de sua ascensão seja a mesma de sua obsolescência. Nessa ótica, percebe-se que há uma busca incessante por aquilo que é mais fácil e prazeroso a curto prazo, que nunca irá se materializar em uma só estratégia, mas sim desdobrar-se em diferentes padrões a depender do contexto. E, no contexto de globalização do século XXI, a busca incessante por um mero conceito ganha outro protagonista: os ultraprocessados.


Mudança no comportamento alimentar e o império dos ultraprocessados


Nessa ótica de foco em praticidade, no ritmo da era tecnológica, refeições domésticas compartilhadas perderam espaço para a alimentação individualista e isolada, que prioriza alimentos de fácil preparo em pequenas quantidades e ameaça a soberania da dupla de grãos. De acordo com o sociólogo francês Claude Fischler, esse processo de 'gastro-anomia'³ e individualismo alimentar é observado desde a década de 1960 e é consequência direta da aceleração da sociedade. Como consequência, o arroz com feijão tem sua tradição corroída, ao passo que seu preparo é diametralmente oposto ao novo perfil de consumo solitário, como defende Lívia Barbosa em sua obra “Feijão com arroz e arroz com feijão: o Brasil no prato dos brasileiros”. Isto porque, se produzidos em larga escala, o feijão e o arroz apresentam produção ágil, porém, visando refeições únicas e menores, seu preparo torna-se proporcionalmente lento. Aliada à transição, alimentos de preparo e consumo velozes, como os ultraprocessados, refletem a busca humana incessante por facilidade e ganham a vez no prato brasilero.


Dessa forma, a indústria dos alimentos ultraprocessados enxergou oportunidade de crescimento nessa ausência de soberania marcada pelo decréscimo do arroz e feijão. Esses produtos são formulações industriais alimentícias vendidas de forma extremamente apelativa, tanto na formulação dos ingredientes quanto na mentalidade publicitária. Para isso, são desenvolvidos de forma estratégica, com uso de corantes, edulcorantes, aromatizantes, emulsificantes e muito mais, dando origem a produtos hiperpalatáveis⁴, convenientes e com longa validade, mas nutricionalmente pobres. Tais alimentos, como hambúrgueres, salgadinhos de pacote, biscoitos, bolos prontos e macarrões instantâneos, estão em total sincronia com o novo perfil de alimentação global, por terem seu consumo prático e rápido. Por meio da engenharia de alimentos, suas formulações podem simular uma alimentação completa ao utilizar o mimetismo sensorial⁵, mesmo sem trazer toda a densidade nutricional necessária, como aponta o médico e epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, em estudo do NUPENS. Alinhado a isso, o marketing excessivo somado à facilidade de aquisição e de armazenamento dessa categoria, viabilizam o sucesso de sua popularização.


Em primeira instância, agem as propagandas apelativas à públicos estratégicos e com estratégias semelhantes às usadas pela indústria de cigarros, como aponta estudo da USP escrito por Adélcia Almeida; essas táticas convencem o indivíduo a consumir e comprar. Muitas vezes, as propagandas de alimentos focam no público mais sensível à publicidade e suscetível à persuasão: crianças. De acordo com estudo da ACT Promoção da Saúde, a publicidade de alimentos em canais infantis brasileiros é dominada em 85% a 90% por produtos ultraprocessados. Para conquistar o público-alvo, são usados elementos infantis, tais como brindes e personagens animados, conforme o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), cujas pesquisas indicam que 72% das embalagens de ultraprocessados utilizam elementos de marketing infantil. Como consequência, mais compras impulsivas são feitas e o padrão de preferência por ultraprocessados em função da alimentação in-natura⁶ começa desde a infância.


Nessa ótica, a proliferação de aplicativos de entregas representa o vetor que possibilita e amplia a oferta desses alimentos industrialmente manipulados de forma rápida e de entrega em domicílio, perpetuando a Teoria do Forrageamento Ótimo ao fornecer alimentação cada vez mais fácil. Enquanto isso, a disseminação de tecnologias instaladas em cozinhas ajuda no armazenamento e preparo destes, como a air fryer, produto que 35% dos brasileiros possuem em casa, segundo o portal do Estado de Minas, e prepara frituras e alimentos congelados facilmente.


Viés agrícola


Em última instância, a questão econômica é o fator decisivo em função da priorização dos ultraprocessados. Isso ocorre pois seu preço costumava ser 30% maior que o de alimentos in natura em 2018, para passar a ser 30% menor, em 2025. A causa desse aumento é consequência direta das crises climáticas do Sul do país e da “Sojificação”, preferência do plantio da soja vide sua alta procura internacional.


No plantio do arroz, a concentração de grande parte da produção em uma só região expõe o  mercado interno à riscos causados por choques climáticos e externos. Liderando por 70%, o Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz no Brasil, Santa Catarina consta como segundo, com 10% da produção nacional, seguido por outros estados da região central. Nacionalmente, o grão é responsável pela movimentação de 22,3 bilhões de reais, sendo 78,4% referente apenas à região Sul, ao mesmo tempo que gera empregos diretos e indiretos, demonstrando assim sua importância para a economia. Contudo, mudanças climáticas na região de maior produção nacional, vêm impactando diretamente a rizicultura⁷ desde o início do século. Em 2024, essa situação agravou-se devido às devastadoras enchentes que afetaram fortemente a safra do ano, isso fez com que a oferta do produto diminuísse e, consequentemente, seu preço aumentasse. Ademais, a Índia, maior exportadora do produto e responsável por 40% do mercado, lançou sanções entre 2022 e 2024 que aumentaram a procura internacional pelo arroz do Sul, contribuindo para o aumento da cotação do grão. Os altos preços, atrativos ao produtor, impulsionaram o aumento da área plantada em 2025, gerando um excesso de oferta no mercado interno brasileiro e, somada à retirada de sanções da Índia no mesmo ano, causando o recuo repentino dos preços. A expectativa para 2026 é um período de reajuste de mercado e muita cautela no cultivo, haja vista a previsão climática marcada por volatilidade extrema e pela transição frequente entre os fenômenos El Niño e La Niña⁸, que impactam diretamente a rizicultura sulista.


Por conseguinte, destaca-se a cultura do feijão como um produto intimamente atrelado à agricultura familiar, sendo essa responsável por 97% da área de plantio do grão, e que vem sofrendo a chamada “Sojificação”, segundo o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (IBRAFE). Nos últimos anos, o feijão perdeu espaço no campo para a soja, commodity mais rentável, de maior liquidez no mercado e mais resistente a grandes volatilidades climáticas. Em 15 anos, o Brasil teve uma redução de aproximadamente 28% de área plantada. Por conta do barateamento do grão ao fim de 2025, devido a uma farta safra somada à crise de consumo, o produtor teve o plantio desestimulado e a última colheita foi abaixo do volume esperado. Consequentemente, a temporada atual pode representar a menor safra dos últimos 20 anos, o que aumentará o preço do feijão para 2026.



Além da análise do preço dos grãos, é necessário constar o elevado preço do gás de cozinha, visto que este fator corrobora, também, a redução do consumo. Além da aquisição dos grãos, a produção do arroz com feijão requer uma série de outros ingredientes: alho, cebola e óleo são opcionais, mas é impossível cozinhar sem o gás. Atualmente, 66 milhões de famílias utilizam o botijão de gás domesticamente, e em algumas regiões, o preço do botijão compromete até 11% da renda domiciliar, segundo o InstitutoPólis. Dessa forma, o menor acesso a esse componente imprescindível à cocção é outro agravador que faz a sociedade preterir a dupla de grãos em função dos ultraprocessados.


Em contramão ao aumento do preço do arroz, do feijão e do gás, alimentos ultraprocessados são cada vez mais baratos, resultado de um modelo econômico e industrial desenhado para a eficiência máxima de custos. Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) aponta que a projeção é que esse fenômeno se agrave, haja vista o menor custo logístico e o fato de serem feitos de ingredientes de foco em exportação, como a soja, o milho, o trigo e o açúcar, que estão cobertos por uma série de subsídios e incentivos fiscais. Dessa forma, os alimentos naturais pesam mais no bolso do brasileiro do que os ultraprocessados e têm seu consumo desincentivado, causando sérias preocupações quanto às consequências dessa transição nutricional.


Consequências


O decréscimo do consumo do feijão e do arroz no Brasil é um risco sistêmico⁹ e afeta tanto a identidade nacional quanto o orçamento público e a saúde da população. Em relação ao ônus social, tendo em vista que a sociedade brasileira é marcada pela heterogeneidade de seu povo e de seus costumes, a subvalorização da dupla de grãos como pilar da alimentação brasileira é deixar de lado as raízes nacionais e a união do nativo com o estrangeiro como essência da brasilidade.


Em primeira análise, a interrupção na compra das duas commodities impacta diretamente os produtores. No Rio Grande do Sul, a retração de 47% na cotação do arroz de janeiro a dezembro de 2025, seguido pela queda do volume produzido devido às crises climáticas, resultou na retração de 27% do ICMS¹⁰ estatal, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), demonstrando o impacto que a lavoura tem para o estado. No Brasil como um todo, a subclasse econômica de cultivo de arroz registrou 18.736 empregados em 2024, sendo microempresas responsáveis por 47,2% desse total, essas que são as mais afetadas com flutuações de demanda. Dessa forma, é claro como a diminuição do consumo afeta fortemente a captação de impostos dos estados produtores e o emprego de milhares de pessoas.


Simultaneamente, para a lavoura do feijão, a maior problemática é voltada àqueles mais vulneráveis: os pequenos produtores. Nacionalmente, a agricultura familiar é pilar econômico de 90% dos municípios brasileiros com até 200 mil habitantes, afirma o Censo Agrícola do IBGE. Portanto, o dano a essa parcela afeta diretamente a base da pirâmide econômica e social do Brasil, tendo em vista que a compra de produtores locais mantém capital dentro dos municípios e aquece o comércio local, além de manter a riqueza e resiliência de conhecimento da profissão familiar passada de geração em geração. 


Além disso, há a preocupação nutricional exibida na substituição de uma fonte de alimentação completa por uma de calorias vazias e pobre em micronutrientes. Em levantamento realizado pela Fiocruz Brasília e pelo NUPENS, o consumo de alimentos ultraprocessados custa 10,4 bilhões de reais por ano ao Brasil devido aos malefícios que traz à nação. A longo prazo, as taxas de absenteísmo e presenteísmo¹¹ aumentarão significativamente, trazendo perda de produtividade às empresas brasileiras devido à fadiga, aposentadoria precoce e problemas de saúde crônicos.


Além disso, o setor de saúde sofrerá diretamente com essa problemática. Em rede pública, o mesmo estudo afirma que 25% de todo gasto atrelado a diabetes tipo 2, hipertensão e obesidade é destinado somente a pacientes que tiveram essas doenças devido ao consumo de ultraprocessados, o que representa 933,5 milhões de reais. No setor privado, a precarização da saúde eleva a sinistralidade¹², o que obriga seguradoras a ajustar o prêmio de planos e, no caso de planos corporativos, reduzir a margem de lucro empresarial. Dessa forma, cada vez mais capital será destinado ao tratamento das doenças resultantes do consumo exacerbado de ultraprocessados sem focar na raiz do problema: o aumento de seu consumo. 


Reconstrução de hábitos


Atualmente, diversas estratégias são desenvolvidas a fim de reaquecer o costume do consumo de arroz e feijão. A Camil Alimentos, maior player na venda de arroz, executa a campanha “Camil a Base do Brasil”, que tem como objetivo reforçar a importância do consumo de grãos, principalmente arroz e feijão, comunicando para o consumidor os benefícios nutricionais e inspirações culinárias de todo o portfólio da marca. Além disso, em outubro de 2022 entrou em vigor uma legislação que obrigava a adoção de um selo frontal com símbolo de lupa em alimentos que apresentassem alto teor de açúcar, gordura e sódio, a fim de alertar os cidadãos acerca da presença dos ingredientes. Porém, em um cenário em que a jornada de trabalho é de 8 horas e 1.3 milhão de brasileiros levam mais de duas horas para se deslocar até o trabalho, o retorno da soberania do arroz e feijão é quase irreal. O tempo é escasso, o preço é exacerbado e o sabor é ínfimo, quando em comparação àquele criado em laboratório visando a hiperpalatabilidade. Portanto, não há alerta nutricional ou incentivo de conscientização de novas receitas que solucionará esse gargalo.


Ademais, surge o questionamento se a popularização do arroz e do feijão foi de fato pautada em seu caráter nutricional impactante, ou se o potencial positivo foi mera coincidência do consumo mais fácil e economicamente viável da Revolução Industrial. Afinal, o caráter humano de busca pela praticidade mascarado por uma falsa procura pela alimentação e estilo de vida saudável é visto, também, nos dias de hoje. Atualmente, o estilo de vida “saudável” da indústria wellness tornou-se febre, em contrapartida, esse padrão de comportamento é fachada, ao passo que não foca em alimentos de fato saudáveis e in natura, mas sim, contribui para a perpetuação do império dos ultraprocessados ao popularizar itens industrialmente manipulados, como o Whey protein e o mercado milionário de barras proteicas. 


Internacionalmente, o Brasil não é o único, muito menos o primeiro, a enfrentar essa problemática, e o futuro iminente é preocupante. Consoante o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), 53% das calorias consumidas por adultos norte-americanos vieram de alimentos ultraprocessados, entre crianças, o indicador é ainda mais preocupante, chegando a incríveis 62%. Os dados comprovam como esse fenômeno é inerente à humanidade, independente da nacionalidade, e como a situação do futuro brasileiro é alarmante e incerta.


Em síntese, tanto a causa da popularização do arroz com feijão quanto a de seu declínio seguem a mesma lógica: a busca incessante por praticidade, uma estratégia que rege invisivelmente o padrão de comportamento humano há muitos séculos e continuará definindo as novas tendências. Aquilo que uma vez era vantagem hoje perde seu posto para o novo colocado, pode-se imaginar que esse padrão se repetirá até o fim da humanidade e está se repetindo no momento, basta decodificar os padrões.


Glossário


  1. Inflação de gôndola: É o aumento real dos preços percebido pelo consumidor diretamente no ponto de venda, que pode divergir dos índices oficiais devido a variações específicas de categorias ou marcas

  2. Commodity: Produto básico, geralmente de origem agrícola ou mineral, padronizado e negociado globalmente, cujo preço é determinado pela oferta e demanda no mercado internacional.

  3. Gastro-anomia: Fenômeno social caracterizado pela perda de normas e rituais alimentares tradicionais, resultando em hábitos de consumo desregrados e solitários.

  4. Hiperpalatável: Alimentos hiperpalatáveis são produtos industrializados formulados para serem irresistíveis ao paladar humano, combinação química e sensorial que estimula o sistema de recompensa do cérebro de forma artificial e intensa.

  5. Mimetismo sensorial: Estratégia que busca replicar texturas, cores ou aromas de um produto original para atrair o consumidor pela familiaridade ou desejo sensorial.

  6. In-natura: Algo em seu estado natural, sem processamento ou alteração industrial.

  7. Rizicultura: Ramo da agricultura especializado no cultivo de arroz, envolvendo técnicas específicas de manejo de solo e irrigação.

  8. El Niño e La Niña: Fenômenos climáticos de escala global causados pela alteração da temperatura das águas do Oceano Pacífico, resultando em mudanças drásticas nos padrões de chuva e temperatura.

  9. Risco sistêmico: Risco que causa efeito em dominó, série de acontecimentos proveniente de uma só causa.

  10. ICMS: Importante tributo de Circulação de Mercadorias e Serviços, calculado pelo preço multiplicado pelo volume multiplicado pela alíquota.

  11. Absenteísmo e presenteísmo: O primeiro refere-se à ausência física do colaborador no trabalho; o segundo ocorre quando o colaborador está presente, mas com produtividade reduzida por problemas físicos ou mentais.

  12. Sinistralidade: Relação entre o custo dos atendimentos realizados (sinistros) e o valor pago pelo cliente à operadora.


Bibliografia


BARBOSA, Lívia. Culinária, cozinha e comida: o sistema alimentar no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.


BARBOSA, Lívia. Feijão com arroz e arroz com feijão: o Brasil no prato dos brasileiros. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 13, n. 28, p. 87-116, jul./dez. 2007.


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IBRAFE. Censo Agropecuário: uma nova leitura do mercado de feijão. Disponível em: https://www.ibrafe.org/boletim/censo-agropecuario-uma-nova-leitura-do-mercado-de-feijao. Acesso em: 30 jan. 2026.


JACTO. Plantação de feijão: relevância e mercado. Disponível em: https://blog.jacto.com.br/plantacao-feijao/. Acesso em: 30 jan. 2026.

O TEMPO. Alimentos ultraprocessados mais baratos pressionam saúde pública e atingem população vulnerável. 2026. Disponível em: https://www.otempo.com.br/economia/2026/1/2/alimentos-ultraprocessados-mais-baratos-pressionam-saude-publica-e-atingem-populacao-vulneravel. Acesso em: 30 jan. 2026.


SEBRAE. Observatório Sebrae: Perfil do cultivo de arroz e feijão. Disponível em: https://observatorio.sebrae.com.br/. Acesso em: 30 jan. 2026.


SUPERINTERESSANTE. Qual o feijão mais popular no Brasil? Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/qual-o-feijao-mais-popular-no-brasil/. Acesso em: 30 jan. 2026.


YOUTUBE. [Mercado do feijão está estável, mas com perspectivas de melhores preços para os próximos meses]. 2025. 1 vídeo (13:55 min). Publicado pelo canal [Noticias Agricolas - Oficial]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=19JdgIJWp-M. Acesso em: 30 jan. 2026.

 
 
 

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